Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Mais sobre mim

foto do autor


Creative Commons License
Blog e textos de Diana Vinagre protegidos por: Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported License.


Cinco cartas de Amor e uma de despedida III

por Diana V., Sexta-feira, 10.10.14

Não fico para dormir, tenho medo de acordar e de já não ser eu, de não te encontrar, de sermos apenas cinzas abandonadas pelo calor dos corpos, espalhadas sobre o branco dos lençóis sem nada para dizer. Tenho medo que se acabem as palavras e que o silêncio nos esmague contra o colchão, tenho medo de não me conseguir levantar, de não conseguir ir, de não saber sequer para onde ir.

 

      Nunca ficava, pensava que despedir-me de noite, depois de despir-me de noite, era mais gracioso, mais misterioso, mais poético. Queria que me lembrasses assim, a sépia e efémera, queria deixar um espaço para a saudade, do meu corpo, do meu cheiro, da minha vivacidade nocturna. Queria que o meu beijo fosse o último, para que eu fosse o teu primeiro pensamento de manhã, talvez me continuasses a querer num movimento contínuo como se os nossos corpos nunca tivessem deixado de se amar.

 

       Quando eu descia a velha escada de madeira da tua casa, ouvia guitarras espanholas e o lamento dos ciganos, Djelem, Djelem. Do outro lado da porta não havia ninguém, na rua deserta a lua longínqua de fria prata acompanhava os passos de quem nunca olha para trás, para não voltar a ser aquele lugar onde por breves momentos a paz e a guerra se harmonizavam no ritmo perfeito de dois parceiros de dança, e coexistiam sob a protecção da deusa como no meu quadro preferido do Rubens. Djelem, Djelem. Caminhei, Caminhei, rumo a quê?

 

     Sorria ao imaginar-te na varanda, junto ao basílico e ao alecrim, a observares o movimento das mesmas costas onde desenhaste, instantes antes, um coração com os dedos, nessas horas vagas onde os meus medos se esqueciam de existir e eu me outorgava ao conforto dos teus braços. Nunca olhava para trás, com medo que não estivesses lá, por teres elegido uma qualquer outra banalidade em prol da nostalgia da despedida. Como poderia condenar-te, eu, aquela que ia pela noite sem coragem de ficar para ver nascer o dia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Diana V. às 02:26

2 comentários

De Ametista a 17.11.2014 às 15:05

Borboletas na barriga...?!
Já não consigo encontrar as palavras certas para descrever a tua escrita...
Envolvente, portanto.
Miss you in blog's world

De Diana V. a 07.01.2015 às 23:55

A avaliar pelo tempo que demoro a aprovar comentários.

Também tenho saudades querida amiga.

Beijos enormes!

P.S. - Borboletas na imaginação, é mais isso.

Comentar post



calendário

Outubro 2014

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031


Protected by Copyscape Website Copyright Protection


Comentários recentes

  • Diana V.

    A avaliar pelo tempo que demoro a aprovar comentár...

  • Ametista

    Borboletas na barriga...?!Já não consigo encontrar...

  • Diana V.

    Nem sabes como o teu comentário me fez bem à alma ...

  • Diana V.

    Ah amiga da minh'alma, não sei escrever para o mun...

  • DyDa/Flordeliz

    Amor numa despedida sem lamechice.Ena... como se l...






Diana's bookshelf: read

A Spy in the House of Love Bestiário A Confissão de Lúcio Alice's Adventures in Wonderland & Through the Looking-Glass Mrs. Dalloway Siddhartha

More of Diana's books »
Book recommendations, book reviews, quotes, book clubs, book trivia, book lists