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A Testemunha

por Diana V., Sexta-feira, 24.05.13

     

 

 

     A ordem só pode ser restaurada depois do caos. Quando cheguei àquela cidade, que sinto como minha, a polícia tentava instaurar a ordem entre o caos causado pelos manifestantes. Quanto a mim, seguia serena no autocarro, a tempestade já tinha passado, e ali estava eu, devidamente ordenada com esta coisa de existir. Lembro-me que até o céu parecia mais azul, e respirar parecia-se efectivamente com respirar, já não sufocava, era mais fácil. Estava tudo no seu devido lugar, a acontecer como tem de acontecer.

 

     Ia testemunhando a desordem, num fora de mim que raramente me permito, lembro-me de pensar que mais cedo ou mais tarde as pessoas lá de fora iriam encontrar o ponto onde se estabeleceu a ruptura, iriam repará-lo, e a harmonia seria reposta, mas já nada seria como era antes, nunca é. A harmonia é sempre diferente, e a maioria das vezes breve. Exige uma manutenção cuidada, que resulta da soma de experiências e das ferramentas que fomos encontrando. Nada voltaria a ser como era. E tudo estava a acontecer como devia acontecer. A crença é incauta.

 

     Eu ordenada nas coisas de dentro, eu testemunha das coisas de fora. Meditativa e relaxada, entreguei-me à previdência. Aceitar que há um destino foi coisa que me levou tempo, mantenho-me no entanto uma acérrima defensora de que a escolha da reacção ao imprevisto é sempre nossa. Devo dizer que Cronos foi implacável com aquela harmonia que era minha. Brevidade necessária? E tudo continuava a acontecer como tinha de acontecer. No dia seguinte pude escolher a cor do céu. A harmonia tinha sido alterada. A cidade amanheceu ordenada, testemunha do caos que me provocara, nada voltaria a ser como era.

 

Diana V.

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por Diana V. às 09:00

Would you Kill to Save your Life?

por Diana V., Sexta-feira, 24.05.13





Thirty Seconds To Mars - Hurricane

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por Diana V. às 00:01

Prefiro as Noites

por Diana V., Quinta-feira, 23.05.13

http://bit.ly/bYqEJA

Imagem:  http://bit.ly/bYqEJA

 

         Que sabes tu de viver se nunca morreste? Para que queres tu ver a luz, se não cresceste à sombra? Como podes tu olhar o sol, se não te dói? Tu que nunca embalaste a escuridão em noites brancas, diz-me: - Que sabem os teus olhos sobre vida, se nunca te cegaram as paixões da alma? Voltarias a ver? Sem a ilusão hiperbolizada, sem a metáfora do fim da estrada, conseguirias viver? Ó fogo de quimeras que abrandas à luz dos dias, que crês piedosamente que os eufemismos são a verdade que procuras, que te alimentas de singularidades, e que na tua imensa falta de apetite, nunca engoliste um plural. Que sabes tu de pluralidades? Ou de polaridades? Sabes quantas trevas são necessárias para nascer um homem do ventre de uma mulher?

 

Diana V.

 

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por Diana V. às 13:13


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